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Mimi da Escolinha – Edmilson Cesário de Oliveira

Edmilson Cesário de Oliveira, conhecido como Mimi da Escolinha, nasceu em 11 de novembro de 1966, na cidade de Goiana, Pernambuco. Sua trajetória é marcada pela superação das adversidades, pela dedicação ao trabalho, pela paixão pelo futebol e pelo compromisso com a promoção da cidadania por meio do esporte e da proteção da infância e da juventude.

Aos dez anos de idade, após a separação de seus pais, mudou-se com sua mãe e os irmãos para o Engenho da Barra, onde a família foi acolhida pelos proprietários, Seu Amaro e Dona Edite. As dificuldades financeiras eram extremas, e as condições de moradia eram bastante precárias, chegando a dormir sobre sacos de adubo espalhados no chão. Ainda na infância, aos onze anos, iniciou sua vida profissional no cultivo da cana-de-açúcar, acompanhando a mãe nas atividades de plantio, adubação, limpeza e corte da cana. Posteriormente, trabalhou em diversas propriedades rurais da região, exercendo atividades agrícolas nos engenhos Palmeiras, Limeira, Viração, Mirandinha e Camurim, atuando tanto no cultivo da cana quanto na colheita de bananas, no plantio de inhame e em outras atividades do meio rural.

Durante a juventude, conciliou jornadas de trabalho extremamente pesadas com o desejo de estudar. Em razão das dificuldades enfrentadas, precisou interromper os estudos por vários anos, conseguindo concluir o Ensino Médio apenas aos quarenta anos de idade. Antes disso, chegou a migrar para o estado de São Paulo em busca de melhores oportunidades de trabalho. No entanto, a ausência da conclusão da educação básica limitou suas possibilidades de inserção profissional, levando-o a retornar a Pernambuco. Determinado a mudar sua realidade, retomou os estudos enquanto continuava trabalhando no corte da cana-de-açúcar, demonstrando perseverança e compromisso com sua formação.

Ao longo de mais de três décadas dedicadas ao trabalho rural, grande parte delas em condições precárias e, muitas vezes, sem vínculo formal de emprego, destacou-se também pela defesa dos direitos dos trabalhadores. Sempre que identificava irregularidades relacionadas à medição das braçadas de cana, ao peso da produção ou às condições de trabalho, buscava o apoio do sindicato da categoria para denunciar possíveis injustiças, tornando-se uma voz ativa em defesa dos trabalhadores rurais.

Além de sua história de luta, Edmilson sempre revelou um talento extraordinário para o futebol, dom que, segundo ele, recebeu de Deus. Atuando como atacante, destacou-se por sua capacidade goleadora e pelo desempenho em diversas competições realizadas na Zona da Mata Norte de Pernambuco e em outras localidades. Ao longo de sua carreira como atleta amador, conquistou inúmeros títulos, tornando-se campeão em diferentes municípios e equipes. Foi tricampeão em Aliança defendendo o Náutico de Macujê, além de conquistar títulos pelo Sport e pelo Vasco da Usina Aliança. Em Acaú, foi bicampeão pela equipe do Salgadinho; durante o período em que viveu em São Paulo, conquistou dois campeonatos consecutivos. Também foi campeão em Vicência, defendendo o Sport de Angélica; bicampeão em Goiana, pelos clubes Bangu e Trincheira de Tejucupapo; bicampeão da Copa Heroína, em Tejucupapo; e tricampeão em Condado, atuando pelas equipes Havaí, Sport de Rola e 11 da Praça.

Mesmo após os 38 anos de idade, continuou competindo na categoria de veteranos, mantendo o alto nível de desempenho. Foi bicampeão em Goiana pelo Ki Limpo, campeão em Caaporã pela equipe Candeeiro, campeão em Aliança pelo time de Regalia e tricampeão em Itaquitinga pela equipe de Tôco. Em quase todas as competições nas quais conquistou títulos, terminou como artilheiro, acumulando, ao longo da carreira, mais de trinta conquistas entre campeonatos e torneios. Reconhecido pela habilidade técnica, pelos gols decisivos e pela qualidade de suas finalizações, tornou-se um dos jogadores mais respeitados do futebol amador da Mata Norte pernambucana.

Seu talento despertou o interesse de clubes profissionais, levando-o a realizar diversos testes durante a juventude. Embora tenha sido aprovado em algumas avaliações, já estava casado, tinha cerca de vinte e cinco anos de idade e trabalhava para garantir o sustento da família. Diante da necessidade de estabilidade financeira, optou por não seguir a carreira profissional no futebol, abrindo mão de um sonho pessoal em favor de suas responsabilidades familiares.

No ano 2000, ao perceber o grande número de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social nas ruas de Condado, decidiu transformar o sonho que não pôde realizar em uma oportunidade para outras gerações. Assim nasceu a Escolinha de Futebol de Mimi, projeto social criado para oferecer formação esportiva, disciplina, cidadania e esperança por meio do futebol. Mantido ao longo dos anos com o apoio de amigos, colaboradores e da comunidade, o projeto tornou-se uma das iniciativas sociais mais importantes do município. Em 2026, a escolinha completou 26 anos de atividades ininterruptas, beneficiando centenas de crianças e adolescentes.

Entre os resultados mais expressivos do projeto está a formação de cinco atletas que alcançaram o futebol profissional: Binho, Roaly, Fredinho, Marcílio e Marcinho. Para Edmilson, cada jovem que conquista espaço no esporte representa a realização de um sonho coletivo. Seu maior objetivo permanece vivo: ver um atleta nascido em Condado vestir a camisa de um dos grandes clubes do futebol brasileiro ou europeu, demonstrando que o talento existente no município pode alcançar os mais altos níveis do esporte.

Três anos após a criação da escolinha, incentivado pelo reconhecimento de seu trabalho comunitário, candidatou-se ao Conselho Tutelar de Condado, sendo eleito para exercer a função. Desde então, construiu uma trajetória de expressiva aprovação popular, sendo eleito para três mandatos consecutivos. Em sua primeira eleição recebeu 1.583 votos; na segunda, 1.971 votos; e, na terceira, 2.151 votos, números que refletem a confiança depositada pela população em seu trabalho na defesa dos direitos das crianças e dos adolescentes.

Durante seu segundo mandato como conselheiro tutelar, enfrentou um dos momentos mais difíceis de sua vida pública. Em decorrência de alterações promovidas na legislação municipal, foi afastado do cargo por aproximadamente três meses. Convicto da legalidade de sua atuação, recorreu às instâncias competentes e obteve decisão favorável que garantiu seu retorno ao exercício da função, bem como o ressarcimento dos valores que lhe eram devidos, reafirmando seu compromisso com a defesa dos direitos e com o serviço prestado à comunidade.

A trajetória de Edmilson Cesário de Oliveira representa a história de um homem que transformou as dificuldades da infância em motivação para servir ao próximo. Trabalhador rural, atleta, educador social e conselheiro tutelar, fez do futebol um instrumento de inclusão, esperança e transformação de vidas. Seu legado ultrapassa os títulos conquistados dentro de campo, refletindo-se principalmente na formação de cidadãos, na proteção da infância e no exemplo de perseverança, solidariedade e dedicação à comunidade condadense.

Neto Dantas
Condadovip
Condado Ordinário

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